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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Desabafo

     Nem sei como começar este texto. Queria fazer uma reflexão mais densa e elaborada, mas não estou com cabeça para isso. Amo muito a educação em geral, mas tenho um carinho muito maior pela ideia de dar educação aos mais pobres. Tal posição pessoal me conduziu desde o início para a escola pública.
     Hoje foi um dia triste por algo tão banal. Precisei correr atrás de folhas de sulfite para poder fazer a impressão de provas por que o colégio não dispunha de papeis para isso. Não é culpa da direção, não é culpa de professores. Em meio a toda disputa que existe hoje por este vácuo deixado nos espaços do poder, em meio a toda essa questão ideológica exacerbada e irracional que verte pelas bocas do senso comum cheia de um ódio incoerente, em que momento as pessoas vão parar para resolver questões simples do cotidiano? 
    Professores precisam de seus salários pagos em dia. De seus planos de carreira respeitados. As escolas precisam de funcionários para executar as tarefas simples. É preciso sulfite, papel higiênico, sabão para limpeza, merenda. Alguém ai já viu a cara de tristeza de uma criança pobre que vai ao intervalo de aula buscar uma merenda e não tem uma caneca de leite quente para saciar a fome e aquela dorzinha de cabeça que a fome provoca?
     Em meio a tudo isso, vai ainda minha observação: E o partido que há anos governa o Estado de São Paulo e que atualmente governa o Paraná, que precarizou a educação pública nestes Estados ainda se acha ilibado e guardião da moral nacional. Comprar uma resma de papel sulfite para imprimir provas não é um problema para mim ou para o pai de algum aluno ligeiramente endinheirado, mas esta função cabe ao Estado. Enfim, desculpe o desabafo. Eu apenas estou triste com esse quadro. Me esforço para a tristeza não virar ódio.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Memória em litígio

     Durante a Segunda Guerra Mundia, a França foi ocupada por um governo totalitário, autoritário, ditatorial, genocida. Em meio aos franceses surgiu um grupo que pegou em armas, executou missões de sabotagem, assassinou militares nazistas, se apropriou de patrimônio de franceses que apoiaram as forças nazistas de ocupação. Lá estes foram chamados de "resistência". A população francesa presta homenagem a estes indivíduos até hoje.

      Aqui no Brasil, aqueles que usaram a violência e se levantaram contra regimes tirânicos, autoritários e ditatoriais são chamados de terroristas. Palavras usadas para caracterizar o passado são escolhas ideológicas. A esquerda construiu uma memória sobre aqueles que tombaram lutando contra a ditadura heroicizando-os, mas como é sabido que heróis são fulcros de aspirações coletivas como alertou Mary Del Priore, estes são sempre construção condizentes com um projeto de poder. Mera invenção. 

     Não tem como negar que, ainda que a história séria e comprometida com a ciência desconstrua a imagem heroica dos atores do passado, é nítido que houve uma hegemonia de uma interpretação a esquerda do passado ditatorial brasileiro. Entendo e defendo que isso ocorreu menos por questões ideológicas e mais por questões metodológicas: A direita no Brasil não consegue pensar muito fora do positivismo e do darwinismo social. Nem liberal ela consegue ser. Quando surge políticos e apoiadores que chamam os que tombaram lutando contra a ditadura de terroristas está muito claro que a narrativa sobre o passado está em disputa. Mas isso também revela uma triste e cruel realidade que para mim sempre esteve muito clara: nossa ruptura com o autoritarismo militar foi incompleta, propositadamente mal feita. Até por que os protagonistas deste processo foram os mesmos que iniciaram o regime autoritário.
     
Mariguella - Herói para a esquerda, terrorista para a direita. Se as duas impressões sobre o personagem são construídas por princípios ideológicos, faz sentido atribuir a alguma delas a noção de "verdadeira"?

         O curioso da história é que a memória está sempre em disputa entre os grupos que querem poder, sobretudo quando as instituições se fragilizam. Em geral, aqueles que tendem a adjetivar e generalizar sem senso crítico, buscando uma única fonte para referendar sua visão distorcida da realidade se impõem na gargalhada tosca e inculta daqueles que nada levam a sério ou na agressividade boçal e verbalizada na voz daquele que é incapaz de conviver e compreender o outro. 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Uma data para não esquecer

     Houve um tempo em que os historiadores gostavam de construir divisões no tempo. Para compreender o passado elegiam datas como importantes. Categorizavam-nas como relevantes em processos de ruptura. Assim, entraram nos livros e na memória coletiva anos como 1492, 1500. Dias como o 14 de julho, o 7 de setembro. Cada vez que paramos para olhar na wikipedia o que aconteceu de importante "no dia de hoje na história", fazemos um exercício de recuperar o passado, reconstruir e reforçar uma memória. Acredito que há enormes chances de, no Paraná, a data de 29 de abril ganhar importância com o passar do tempo. Mas não por que esta data marcou o início de um novo tempo, como as descobertas da América e do Brasil ou a Queda da Bastilha e nossa Independência nacional.

     Por hora, 29 de abril vai ser lembrada por causa das continuidades: o descaso da nossa classe política, o descaso das elites fundiárias, financistas, empresariais, o descaso das oligarquias paranaenses para com a população deste Estado. Estas elites tem nome e sobrenome. Elites políticas que são ignorantes a tal ponto que ainda hoje, no século XXI, preferem ficar vendendo soja in natura para o exterior do que investir no desenvolvimento econômico, social e humano de um Estado que tem condições humanas e materiais de ser um dos mais importantes da federação.

     Por hora, 29 de abril será lembrada por que feriu a classe que dá literalmente seu sangue pelo desenvolvimento do Estado; classe ferida que caiu na triste batalha campal que se viu no Centro Cívico. É aqui que entram as questões que proponho: Por quanto tempo lembraremos desta data com a tristeza inerente aos que estão insatisfeitos com a continuidade? Será que professores sozinhos conseguiriam dar novo significado para esta data, para que ela represente uma ruptura? Se a democracia nos permite tirar os representantes que não atendem nossas expectativas, será que o povo paranaense deixará de escolher nomes e sobrenomes?


quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sobre fazer 36 anos...

     Eu sinto que estou na metade da minha vida (não é drama). Olho para frente e para trás. Sinto-me perdido, tudo parece distante. A memória de dias felizes do passado me mostra que eles estão tão distantes quanto às coisas que eu quero para o futuro. E hoje, sentindo-me no meio do caminho, pensei muito em ambas as direções. Lamentei muito ter escolhido algumas atitudes, estradas e pessoas em detrimento de outras. Hoje vejo alguns lampejos de felicidade alheia e noto que talvez devesse ter dirigido para outra trajetória. Sonhos que me parecem distantes sendo realizados por gente próxima não provocam a chamada inveja, mas sim uma pequena tormenta mental, por conta das escolhas e resultados.

     Passei maus momentos recentemente, mas não menos anteriormente. Chorei sozinho, mostrando-me forte quando a última coisa que eu gostaria de ver era a cara de alguém. Não pude fazer aquilo que muitas pessoas dizem ser minha maior virtude, amparar, por que mal tinha forças para mim. Apostei alto, perdi tudo. Ou quase tudo.

     Tem coisa que acontece na vida da gente uma vez só. Tem oportunidades que até voltam, mas às vezes em momentos que já não fazem mais sentido algum. Mas a maioria delas é de fato única. Em meio a tantas coisas que podem ser chamadas de derrotas, eu vivi outras tantas muito lindas e fantásticas, cuja simples lembrança já faz disparar serotonina e ter um pouco de acesso à química da felicidade, mesmo em péssimas horas. Faz-me chegar à conclusão de que eu faria tudo de novo, igualzinho, mesmo sabendo que talvez tivesse o mesmo desfecho: não atingir minhas metas mais íntimas. Por que a felicidade, ainda que curta, ainda que tardia, ela não pode ser adiada. Ela tem que ser vivida.

     Aqueles que assim como eu acreditam que há outras vidas, em hipótese alguma deveríamos nos preocupar tanto com as dores que passamos nesta. Não há mal em buscar a plenitude, a paz, a felicidade (embora fique para mim cada vez mais nítido que feliz é quem se engaja no bem ao próximo, pois dá sentido maior à sua existência).

     Hoje que acredito ter chegado à metade da vida, penso que valeu a pena todos os riscos, pois vivi sonhos e experiências que de alguma forma me marcarão eternamente. Se eu senti dores, se desenvolvi rancor, ódio em algumas jornadas, tudo também foi válido. Doeu muito eliminar estes sentimentos, foi um trabalho penoso, mas eles me elevaram de tal forma que me sinto feliz pelo simples fato de dizer que é possível sofrer bastante, se elevar e continuar amando (a vida, o próximo, aquele que te fez mal, etc.). Se um indivíduo quer ser feliz e aprendeu que isso se conquista através de fazer o bem, pois que se jogue na vida.

     Se nós pretendemos buscar algo bom, que procuremos incessantemente, independente do resultado, do medo. A tristeza inerente aos nossos dias presentes pode persistir, mas já estamos acostumados com ela. Mas os momentos, ainda que curtos, de intensa felicidade, viverão na memória do espírito eternamente.

     OBS: e se falo que acredito ter chegado à metade é por que penso que 72 anos é um bom tempo para se viver neste planetinha. Alzheimer me faria esquecer coisas legais e Parkinson faria derramar cerveja. Setenta e dois anos estarão de bom tamanho.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Crônica de um dia infeliz

     Sai de casa após almoçar, por volta das 14:30. Era 29 de abril de 2015. Deixei minha mãe e meus sobrinhos na escola onde os pequenos estudam música todas as quartas feiras. Dirigi até o Centro Cívico de Curitiba. Estacionei próximo ao MOM. Sai do carro com uma garoa fina caindo. A medida em que me aproximava da parte de trás da Assembleia Legislativa, eu começava a escutar bombas. Já naquele instante meu coração se enchia de angustia e eu começava a chorar. Me aproximei da praça lateral ao Palácio e vi o cordão de isolamento policial, enquanto observava a distância o início do massacre. 
    
   Comecei a chorar e me aproximei solitariamente dos policiais. Eu gritava com eles. Naquele momento de desespero, não me dei conta do risco que eu corria de ser preso ou agredido. A paixão falou mais alto que a razão. O desespero, este visceral sentimento, aniquila a racionalidade do ser em questão de segundos. 
  
     Aos policiais eu dizia sempre o mesmo texto, de forma intuitiva, externando o que sentia:

 - Vocês estão do lado errado. Suas aposentadorias estão em risco. Seus oficiais estão acobertando essa canalha toda. Vocês são conhecedores de cada boca de tráfico, de fumo dessa cidade. Sabem onde ficam prostíbulos que praticam pedofilia. E sabem também que há assessores e parlamentares que estão ligados nestas práticas. Vocês sabem disso. Sabem também que nós professores vemos diariamente crianças carentes, pobres, negras, brancas, mestiças entrando no crime por que não há um médico, um psicólogo na periferia para dar atenção para elas. Nós na sala de aula lutamos sozinhos para salvar estas almas e trazê-las para cidadania, enquanto a canalha hipócrita fica sentada lá dentro tirando nossa aposentadoria e mandando vocês baterem em nossa gente, a única gente que pode fazer alguma diferença. Vocês tem filhos educados por nós, estudaram conosco. Por que aceitam fazer isso com a gente?

     Uma cena chamou minha atenção. Vários policiais abaixavam a cabeça enquanto eu falava. Uns poucos que me olhavam no rosto ficavam abatidas ao ver meu choro, ouvir o que eu falava e ficavam com os olhos aguados também. Um soldado negro que deu atenção ao meu desespero não escondeu o choro e balançava a cabeça dando sinal afirmativo para cada frase minha.

     Sai dali. Dei uma longa volta a pé por uma rua paralela da que passa atrás da ALEP. No caminho encontrei minha professora de química do ensino médio, aos prantos. Encontrei inúmeros colegas, muitos deles que trabalham também na rede privada. Todos estarrecidos. Tentamos nos aproximar da frente da ALEP, mas diante da desproporcional força, retrocedemos. Foi ai que vi o esdrúxulo e bizarro. A tropa de choque da PM caminhava em nossa direção, jogando bombas. Enquanto batíamos em retirada, para próximo do prédio da prefeitura de Curitiba, os policiais nos jogavam bombas de gás pimenta, lacrimogênio e efeito moral. Enquanto eu corria, via gente que ficava para trás sendo agredida em sua fuga. Pessoas se queimavam, estilhaços de bombas atingiam e machucavam os professores.
     Fiquei em pé, na esquina da praça, do lado da prefeitura, próximo a um cordão de isolamento da PM, partindo do princípio que por estar perto da PM, não seria atingido. Ledo engano. O helicóptero da PM se aproximou do local e jogava do ar gás pimenta. Eu senti o quanto era hedionda essa situação, mas um pouco de frieza me dominou e fiz um vídeo acima com o celular.
    
    Fugi para próximo ao caminhão do sindicato e ali encontrei mais outros tantos colegas, alguns que inclusive lecionaram para mim. E dali fiquei observando a distância o que ocorria, chorando tanto quanto tremo e choro agora, ao realizar a escrita desta crônica.
   
   Jornalistas da Veja, da Folha, leitores em seus comentários alegam que nós não éramos professores, éramos petistas, cutistas, marxistas, bolivarianos. Que professores de verdade não confrontariam a lei, a ordem. Lá haviam eleitores do Aécio, da Dilma, da Marina, da Luciana Genro (eu). Haviam eleitores do Richa decepcionados e arrependidos. Haviam neo-integralistas, monarquistas, anarquistas. Aquilo foi uma manifestação democrática de uma categoria que, mesmo ideologicamente heterogênea, lutava por uma causa em comum: a garantia de suas aposentadorias e de uma educação de qualidade.

    E se hoje eu faço uma crítica ao PSDB e isso magoa os eleitores do partido, peço desculpas, mas eu sou apenas um cientista, especializado em história, um homem da educação que lê, que pesquisa, que estuda a ciência política, as políticas públicas para a educação. E faço isso não por partidarismo, faço por que sou profissional sério, que busca através da transmissão do conhecimento formar uma geração de cidadãos defensores dos valores democráticos e que tenta estimular as novas gerações a participarem da política, da cidadania de maneira eticamente e moralmente mais elevada do que a imensa maioria da classe política brasileira. Se faço a crítica ao PSDB e ao seu modus operandi é por que há evidências concretas e irrefutáveis de que este partido e seus dirigentes não são adequados para melhorar o país, por que só com educação de qualidade isso é possível. E isso, talvez por quererem manter a população na ignorância e preservar seus privilégios, decididamente eles não querem.



quarta-feira, 8 de abril de 2015

Atividades para os alunos do Colégio Estadual João Ribeiro de Camargo

Saudações alunos. 

A título de experiência, coloco aqui para vocês as atividades online, para vocês irem se acostumando com o sistema. Com um pouco de boa vontade e prática, dá para fazer numa boa.

Clique aqui para ter acesso ao exercício sobre Mesopotâmia, voltado para o primeiro ano do ensino médio. Usem os materiais que eu coloquei nos exercícios e suas anotações de caderno.

E para os alunos da segunda série, clique aqui para fazer os exercícios sobre Formação de Portugal e Espanha e Grandes Navegações. Usem os materiais que eu coloquei nos exercícios e suas anotações de caderno.

Façam um bom proveito da tecnologia. Um grande abraço.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Com a palavra, uma amiga coerente

Retirei o texto abaixo de uma postagem realizada por uma amiga, historiadora e atriz. Nem pedi autorização para ela para colocar aqui, mas acho que o texto merece alguma visibilidade. Ai vai

Dane-se PT, PSDB, PDT, PSC, PMDB, DEM ou qualquer outra legenda do raio da PQP!
O fato é que o professor vem sendo constantemente desvalorizado no Brasil - não só pelos políticos como pela própria população. E nessa grande ciranda de descaso também são ignorados os direitos de outros servidores públicos nesse país. Entra governo e sai governo (federal, estadual e municipal) e nossos problemas só se agravam - sintoma esse que nos remete a pensar em problemas estruturais - e nesse contexto a legenda partidária é só um "pixo" no meio dos pilares condenados - uma infeliz tentativa de desviar nosso olhar de um problema muito maior. Corrupção e ignorância não seguem partidos específicos. É um problema que permeia toda a sociedade. Permeia nossos próprios conflitos internos e morais - mesmo que isso custe a admitir.
Pra você que ta lendo isso pela milésima vez, peço perdão pela insistência, mas por favor, eu apelo! Pare de colocar a responsabilidade só de um lado!!!! Eu não aguento mais tamanha unilateralidade!!! Olhe para além dos seus horizontes - para além das suas referências, das suas revistas, dos seu círculo social!!! Numa era globalizada não podemos mais criar justificativas para informações seletivas que só servem para olhar o problema por um ângulo (geralmente aquele que nos é mais cômodo enxergar)! Alteridade é sempre necessária quando precisamos reivindicar nossa identidade e nossa cidadania - do contrário mergulhamos no abismo da ignorância e do autoritarismo... Cuidado com essa aparelhagem ideológica!!!
Se depois de tudo isso você ainda teima em comprar esse discurso de PT X Tucanato, é sinal que seu cabresto ideológico te faz tão ou ainda mais manipulável do que o grosso da população - aquele grosso que você, no alto da sua petulância, julga ser tão desprezivelmente distinto da erudição do seu suposto esclarecimento. Tal cegueira te leva ao ponto de achar que o que falo aqui tende a defender uma bandeira ou outra... Ora!!! Às favas com as cores, as siglas ou nomes de qualquer bandeira! Todas estão manchadas num mar de escândalos e denúncias. Não compre a guerra pelo poder de uma corja que jamais atenderá suas necessidades. Afinal, se você não faz parte dessa panela, por que então sai por aí fazendo eco da briga? Eles mesmos te ignoram... FOMOS TODOS IGNORADOS!
Não caia na armadilha do deslumbre da classe média, que nos draga à amarga ilusão de pensar que um diploma universitário é suficiente pra julgar todas as classes trabalhistas, tão plurais em suas dificuldades e depreciações. Ninguém aqui sabe de tudo! Ninguém aqui é médico, professor, engenheiro, farmacêutico, enfermeiro, produtor cultural, pedreiro e diarista ao mesmo tempo. Ninguém aqui sequer sabe enumerar a quantidade de profissões que os brasileiros exercem.
E se ninguém sabe de tudo, o máximo que podemos fazer é trocar nossas experiências e pontos de vista sobre a mesma questão. Estamos aprendendo juntos e da pior maneira possível: imersos numa miríade de problemas!! Pare com essa mania de repartir as divergências do mundo por meio da bipolarização. Não seja filhote de ditadura nem tampouco seja resto de placenta de guerra-fria!!! Não tenha medo de negar esse mecanismo de análise política - isso não te fará reacionário, anarquista, comunista ou qualquer rótulo do gênero. Esse tipo de sequela ou saudosismo não é salutar em nenhuma causa e nada acrescenta ao destino desse país. Gera só uma gritaria estéril e ignora os benefícios da polissemia.
E pra ficar claro, repetirei quantas vezes achar necessário, até que faltem ar nos meus pulmões... até que faça calo nos meus dedos.. até que o último amigo meu aqui facebook me delete: NÃO FAÇA DESSA CAUSA UMA GUERRA PARTIDÁRIA! NÃO FAÇA DESSA CAUSA UMA GUERRA PARTIDÁRIA! NÃO FAÇA DESSA CAUSA UMA GUERRA PARTIDÁRIA! NÃO FAÇA DESSA CAUSA UMA GUERRA PARTIDÁRIA! NÃO FAÇA DESSA CAUSA UMA GUERRA PARTIDÁRIA! NÃO FAÇA DESSA CAUSA UMA GUERRA PARTIDÁRIA!
Isso é uma guerra estrutural - afeta nossas raízes e nossa cultura... Talvez seja por isso que temos tanta dificuldade em aceitar, em nos auto-analisar dentro da nossa própria revolta - dentro das nossas próprias dificuldades em nos relacionar em sociedade. Travamos esse conflito com a nossa própria formação porque no fundo ela é pra lá de deficiente.... Admitir já é um grande passo!
Pode chorar, pode espernear e pode jogar a batata quente de mão em mão... Somos sim deficientes em nossa formação identitária, em nossa literacia política - Ainda mais num país onde cada vez mais se faz da educação nas escolas uma mercadoria. Onde temos de deixar de estudar ou nos dedicarmos a nossas afinidades para sobreviver às exigências da vida adulta. Onde muitos escolhem profissão por dinheiro, por pão na mesa ou por um pouco mais de conforto - e não por vocação!!! Se você nega esse problema, eis que você apresenta outro sintoma do quanto foi condicionado a agir e pensar em série, a imprimir toscamente os discursos da matriz... Por vezes defendendo interesses que nem seus são - pelo contrário! Somente te prejudicam!!!
E aqui aproveito pra fazer outro apelo: para você que não é paranaense e não está a par dos problemas que estamos passando com o governo estadual, peço o mínimo de respeito e compreensão. Não critique um contexto o qual desconhece. Não critique nossa indignação, não critique quando um professor, um policial, um agente penitenciário ou um agente da saúde reclama de suas condições de trabalho. Aqui também estamos vivendo no nosso limite - dentro das nossas peculiaridades. O coronelismo também impera nas araucárias! É cômodo jogarmos tudo para um lado, afinal dá menos trabalho atacar uma única falange, não é mesmo? Respire fundo e procure entender as queixas que eclodem por aqui.
Sul, Sudeste, Norte, Noroeste, Nordeste Centro-oeste..... Da uma olhada com atenção na história do nosso país, o quanto ignoramos a história de cada região, de cada povo que aqui habita. O que nos faz ser brasileiros é a nossa extensão e a nossa diversidade. Lutamos em prol do Brasil, mas não podemos impor nossas referências sob as particularidades de cada região. Isso não é xenofobia, egocentrismo muito mesmo ufanismo: pra construir a união também é necessário reconhecer a pluralidade.
Entendo profundamente sua mágoa com o PT (eu também tive sérias decepções, assim como qualquer brasileiro), mas o fato é que o PSDB não tem sido grandes coisas por aqui... E se você acha que os petistas estão ha tempo demais no governo, pense então na nossa relação com os tucanos!!!! Reconhecer isso não te obriga a recuar na sua oposição ao governo federal... Até porque dentro da divisão de poderes e regiões também temos divisões de responsabilidade. E olha... Ta todo mundo fazendo besteira!!!
O que é responsabilidade do governo federal precisa ser cobrado, assim como também deve ser cobrado o que é responsabilidade de nossos senadores, deputados, prefeitos e vereadores.... Cada qual dentro de sua função. Talvez se cobrássemos mais dos nossos deputados, por exemplo, o triste episódio que se desdobrou hoje na Assembléia Legislativa do Paraná tivesse outro desfecho. O seu,o meu, o nosso dever como cidadão é se informar melhor sobre isso! É a lição nossa de casa de cada dia. Não é mais hora de defender quem não nos defende! Não é mais momento pra bancar o pedante político (na minha opinião a criatura mais ignorante de todas)!! Todos podem e devem ser responsabilizados. Cada qual em sua cidade, estado e região. Isso não te faz bairrista, pelo contrário!!! Isso te faz ainda mais cidadão brasileiro.
Só por obsequio! Não venha chamar professor de vagabundo, incompetente, desinformado ou massa de manobra. Antes de falar sobre aquilo que desconhece, experimente conhecer uma escola nos dias atuais. Converse com diretores e pedagogos... Caso o achismo ou a preguiça venham a imperar, apenas fique em silêncio e pare de desrespeitar quem já é tão injustamente depreciado.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

No coração do professor, o sangue militante. Na mente uma única causa: EDUCAÇÃO

Tenho escrito metodicamente sobre aquilo que acho problemático no atual contexto, mas hoje vou ser um pouco egoísta. Vou falar de mim. Muita gente sabe que meus pais são aquilo que se definem como analfabetos funcionais e que batalharam muito para me manter na escola pública. O que pouca gente não sabe é que quando fui aluno do curso de história da UFPR, por diversas vezes eu senti um menosprezo por parte de vários colegas quando eu dizia que pretendia educar no sistema público. 

Minha carreira é extremamente bem sucedida e digo isso com enorme alegria. Sou concursado no Estado e trabalho numa rede de educação privada que, para mim, é a melhor do Estado. Nesta rede trabalho em uma unidade que faz um projeto social, dando centenas de bolsas de estudo para alunos de baixa renda. Fazemos lá uma revolução social e moral silenciosa. 

Nos diferentes sistemas de educação em que trabalho, faço meu dever profissional com uma dedicação absurda, com um amor praticamente absoluto, independente do que o "sectário" de educação entenda sobre estas duas virtudes. Mas quando vou ao mercado comprar carne, eu não ganho desconto por trabalhar por amor. Se o Estado me deve, tem de me pagar. Se deve ao meu colega funcionário ou professor PSS, ele tem de pagar. A dor deles é a minha também. Eu não sou de citar textos religiosos, mas há pessoas que valorizam as escrituras cristãs. O direito de receber é bíblico. Lembram da parábola do proprietário da vinha que contrata pessoas por um denário por dia? (Mateus 20. 1-15)

O maior resultado da minha carreira docente vem justamente do amor que dedico para ela. Ano após ano, sofrimento após sofrimento, meus alunos chegam e perguntam: "mas por que quis ser professor, mesmo com salários baixos e tantos problemas?". A resposta é a mesma: Não foi uma questão de querer ter a profissão. Esclarecer e melhorar os que estão ao nosso redor é talvez a tarefa moral mais difícil, mas nada como ver alguém fazendo bom uso do seu livre-arbítrio em função das nossas orientações.

Uma vez, escrevi um bilhete para uma moça que hoje é ex aluna e será professora um dia. Ela me pediu um "bilhetinho de despedida". Talvez, se ela ler, lembrará do texto melhor do que eu, pois recordo que ela ficou emocionada. Dizia algo mais ou menos assim: Um dos maiores prazeres na vida é ter uma boa conversa com alguém que se gosta, se respeita. Melhor ainda é saber que a pessoa conversa bem contigo, de forma livre e independente, muitas vezes te ensinando e esclarecendo justamente por que num momento anterior você estimulou-a a evoluir e atingir este estágio. Esclarecer para conversar melhor, para sentirmo-nos melhores.

Esta garota será professora. Mas não só ela. Nestes anos todos, o maior resultado do amor que dedico à educação está no fato de que uma parcela expressiva dos meus alunos desejam ser educadores. Alguns já são, outros se tornarão em breve. O maior legado da minha vida para o mundo será pelo menos, umas quatro, talvez cinco gerações de educadores. Tem aqueles que estão seguindo o rumo da história, da filosofia, da sociologia, geografia, matemática, física, química. Tenho também os que serão médicos, advogados, engenheiros, enfim, mas no dia a dia deles, sempre que for preciso, eles esclarecerão os que estão ao redor.

Este "sectário" da educação não entende que o que nós fazemos já é por amor. E não dá para amar mais por uma razão simples: o amor à educação é absoluto em si mesmo. Só quem o tem sabe disso. Se o "sectário" não sabe, é por que ELE NÃO TEM TAL AMOR, logo, não tem moral para exigir isso de nós, que estamos há 10, 15, 20, 25 anos no magistério.

Amigos, alunos, ex alunos. Sabemos o que estamos fazendo. Queremos uma educação melhor. Alunos e ex alunos. Um dia nós não estaremos mais aqui nesta terra injusta e desleal. Se hoje fomos às ruas, fomos brigar por nossos direitos, é por que sabemos que vocês que escolheram a educação como causa precisarão ter no futuro condições melhores do que esta na qual nos encontramos. Nosso primeiro legado é o amor pelo educar. Entendam outra coisa: o segundo legado é lutar pelo direito de manter este amor.


Com a palavra, o "sectário" da educação

Mentirosa e desrespeitosa.São os únicos adjetivos que posso atribuir à fala do secretário. O repasse da verba do fundo rotativo continua atrasado. A informação que chegou hoje é que existe o dinheiro referente a uma única verba atrasada do ano passado que, embora esteja na conta, não está disponível para ser retirada. Ouvi isso da boca do diretor as 11:00 da manhã de hoje. Mais mentiras estavam quando ele afirmou que havia professores disponíveis para o início das aulas. Onde trabalho faltam professores de química e física para o ensino médio, ciências, entre outros. Ele está orientando diretores a forçar professores de outras disciplinas a pegaram aulas de matérias que não são de sua área de formação. Tem pedagoga pegando aulas de ensino religioso, e outras bizarrices sem tamanho. Não se pode falar em educação de qualidade sem professores especialistas em suas devidas vagas. Mentirosa por que o sujeito foi evasivo, fugindo das perguntas diretas feitas para ele: "Como o senhor se sente vendo o sonho de carreira de tantos professores afetados?" - Alguém ouviu ele responder isso? Com greve ou sem greve, não haverá aula segunda feira. E se o sindicato arregar, irmãos professores, façamos como aqueles garis do Rio de Janeiro, que não aceitaram a posição do sindicato e continuaram com sua luta até conseguir o que queriam. 

E acreditem, amigos, não queremos aumento de salário. Não é disso que se trata. Queremos a preservação dos nossos direitos, a contratação dos nossos colegas que foram chamados e agora são desrespeitados, sendo jogados de um lado para outro sem certeza de onde ficarão. Queremos o pagamento daquilo que nos é devido, queremos que paguem nossos colegas PSS, queremos que contratem os funcionários que ajudam no trabalho de educar, queremos A REDUÇÃO IMEDIATA DO SALÁRIO DO GOVERNADOR, SECRETÁRIOS, DEPUTADOS E JUÍZES E O FIM DO AUXÍLIO MORADIA PARA OS MAGISTRADOS DA JUSTIÇA. Se o Estado quer cortar gastos, que corte daqueles que trabalham menos, e não daqueles que dedicam suas vidas pelas crianças paranaenses.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Relembrar 2012, para entender 2014 e perceber o que se desenha para 2016/2018

               Voltemos para 2012. Lembram o que Ducci, Fruet e Ratinho Jr. disputaram? Engano seu acreditar que era a prefeitura. Eles disputavam quem é que iria receber anos depois mais doação aos seus partidos por parte da máfia que controla o transporte coletivo em Curitiba. A Gazeta do povo mostra bem como atua a máfia numa matéria que circulou esta semana.

               Mas há uma outra questão relevante. A prática típica de muitos partidos políticos ao obter o poder é encher a máquina pública de funcionários com comissão que são da base do partido. Alguns percentuais do salário do comissionado é inclusive direcionado para o caixa do partido, a partir de doações "espontâneas" de parte do seu salário. Não me parece legalmente errado, mas para mim é bem antiético. Enfim, a título de exemplo, o secretário de um partido continua secretário lá, mas o seu filho mais velho consegue eventualmente assumir uma gerência de qualquer coisa numa secretária municipal ou estadual quando o candidato do partido vence uma eleição majoritária.

              Quando Ducci foi humilhantemente derrotado ainda no primeiro turno, todos os funcionários comissionados das secretarias municipais sabiam o que aquilo representava: demissão. O tucanato temia perder sua base de apoio e se jogou de cabeça para eleger Ratinho, que obviamente garantiria, se não todos, pelo menos uma parcela dos comissionados da dupla Ducci/Richa. Mas o plano deu errado. Quando a limpeza (na realidade, troca) dos comissionados começou a acontecer na prefeitura, Richa e o tucanato perceberam que a vitória de Fruet poderia representar um enfraquecimento de sua base eleitoral para tentar a reeleição para governador. Imediatamente estes comissionados foram entrando em secretárias do Estado e ganhando bônus salariais altíssimos, um por um. Ratinho Junior, sem competência nenhuma para administrar absolutamente nada, ganhou do Beto a secretária de desenvolvimento urbano, por extensão, a direção da COMEC. Entendem o que se passa agora no transporte coletivo? 

               A prefeitura de Fruet controla a URBS, Ratinho Jr, via SEDU, a COMEC e travam desde 2013 um terceiro turno. Não se sabe se essa briga resultará no fim da RIT (rede integrada de transporte), Fruet é rival direto de qualquer candidato tucano que queira o Estado em 2018. Já é pré candidato ao cargo de prefeito via reeleição para 2016 e tem a frente como maior rival o Ratinho, que com apoio de Richa vai desmantelar ainda mais o combalido transporte público de Curitiba e região metropolitana para enfraquecer o rival. Quem sabe se eleger para depois restaurar o que destruir e se mostrar como salvador da cidade. Tudo isso pensando numa cadeira no Palácio ou Senado. E tudo isso sem alterar os lucros dos oligarcas dos transportes. Mas eu confesso que não vou entrar nessa questão por que me falta mais conhecimento, que estou correndo atrás, por sinal. Mas uma coisa é certa, não é uma questão administrativa, de falta de recursos. O lucro da máfia dos transportes é um negócio espetacular.

               Voltando a questão dos cargos comissionados, a derrota de Ducci e o receio do fraco governador Beto Richa promoveram uma contratação em massa de gente para garantir apoio político. Sabe aquele sujeito que você viu balançando bandeira do Richa numa esquina durante a campanha, num final de semana ou outro? Muitos daqueles “bandeirinhas” ganharam nos últimos quatro anos cifras acima de quatro mil reais por mês para na hora da campanha pedir voto para Richa. Dois anos antes estes mesmos caras já tinham saído para fazer campanha para Ducci e no segundo turno para o Ratinho. Alguém ai gostaria de ganhar  quatro mil por mês para de dois em dois anos ficar abanando bandeira? Essa prática onerou de tal forma o Estado, que fez com que professores PSS ficaram sem receber sua rescisão contratual e todo o funcionalismo está sem seu 1/3 de férias. Quero ver com que cara está agora aquele professor que é cargo comissionado nos núcleos de educação e na SEED, tendo trocado seu apoio por um cargo que o governador tirou esta semana. Vai ter coragem de assumir o erro publicamente?


               E agora mais essa de, um elemento que é cargo comissionado de Richa ser acusado de pedofilia e tatuar o nome do governador no braço. Nosso sistema político é chamado democracia, mas estruturalmente vivemos uma oligarquia de cargos comissionados, protetores de coronéis. E o Estado do Brasil onde isso é mais nítido se chama Paraná, onde até quem transa com crianças é próximo do governador e seus amigos. Isso me faz lembrar um ditado popular que minha mãe sempre falava: Diga-me com quem andas que te direi quem és. Pois bem minha mãe, eu não tenho amizade com pedófilos e só ando com gente que quer educar para transformar este país num lugar mais justo.