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terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Fim do Mundo

Tá ai um tema que eu adoro estudar, as diferentes interpretações acerca do possível fim do mundo. Tão logo eu tenha tempo, vou compartilhar aqui com os alunos algumas observações acerca do tema. Por hora, só passei para divulgar uma notícia bem legal do caderno de ciência da Folha de São Paulo, umas das poucas coisas legais daquele jornaleco
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/999375-fim-do-mundo-maia-e-um-erro-de-interpretacao-diz-arqueologo.shtml
Abraços
Prof. André

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os cânceres

Olhando para os comentários absurdos que povoam as redes sociais e sites de jornalismo no que diz respeito ao câncer do Lula, cheguei a seguinte conclusão: As classes média, média-alta e alta deste país são FASCISTAS e tem vergonha de admitir.
Dá para sintetizar os argumentos dos leitores da Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Globo.com e Veja da seguinte maneira: Como ele é nosso rival político, o câncer dele é algo bom, logo, que morra rápido, já que a democracia nos impede de matá-lo. É uma pena que o regime democrático que tanto gostamos nos impede de fazer o serviço sujo. Ainda bem que o câncer está ai para matá-lo.

Absurdo dos absurdos. E ao mesmo tempo, amedrontador. Estes comentários acerca do SUS me irritam ainda mais. O SUS criado em 1988, é vinculado ao Ministério da Saúde, que depende das verbas do Estado. A maior parte do equipamento ambulatorial e medicamento que o SUS disponibiliza sempre é comprado de empresas privadas e que ganham licitações muitas vezes sabe-se lá como. De 1988 até 2002 o Sistema esteve sob controle de governos da direita brasileira, logo, se ele não é um sistema de excelência, não é exclusividade do PT ou da gestão do Lula tal problema. O fato é que não preciso e nem quero fazer propaganda partidária. Só vou compartilhar experiências que tenho. Na minha comunidade aqui em Colombo conheço várias pessoas que são atendidas por agentes de saúde da prefeitura e recebem medicamentos de graça. Muitas vezes o agente vai inclusive na porta da casa da pessoa perguntar o motivo pelo qual a pessoa não compareceu na distribuição do remédio. Todas as pessoas que conheço que são amparadas por este programa podem não ter a formação "brilhante" dos jornalistas destes meios de comunicação, mas são unânimes em afirmar que nunca viram ações como essa em governos anteriores.

Em resumo, achar que o câncer do Lula é uma situação "ótima" é a manifestação de xenofobia política mais insana que já vi e nunca imaginei que veria algo desta maneira. Acreditar que ele Lula é o único responsável pelo descaso dos governantes e das ELITES PODRES E ARCAICAS deste país é ignorância sobre a história deste país, tanto quanto é ignorância afirmar que a saúde não teve melhoras nesta última década. E eu tenho certeza que o Lula já teria pronunciado um sentimento de tristeza publicamente se quem estivesse com este problema fosse FHC, Serra ou Alckmin, tal como pronunciou-se lamentando a morte de Mário Covas, anos atrás. Se o Lula tem que combater este câncer, setores da nossa sociedade precisam de uma quimioterapia política.

domingo, 23 de outubro de 2011

Atualizações - muuuuitos slides

Então moçada, desculpem a demora para disponibilizar os slides. Ainda tenho recuperações para corrigir e aulas para montar. A coisa tá corrida. Mas ai estão as aulas do quarto bimestre, tanto do sesc são josé e outras para o heráclito.
abraços

Guerra fria - segundos e terceiros anos
http://www.4shared.com/file/EUGER5no/guerra_fria.html
OBS: Segundo a Ana Claudia, eu errei um acento na Coréia e escrevi um "interveir" ao invés de intervir, em algum lugar. Por favor, quem pegar o arquivo, faz a correção.
Em tempo, rock'n'roll e história
http://www.youtube.com/watch?v=jc29eInPNNI
Era Vargas, República Liberal (ou populista para alguns) e Ditadura Militar - segundos e terceiros anos (vale lembrar que este slide não é 100% meu. Peguei a maior parte dele do blog de um professor de história chamado Ailton, apenas fiz umas ligeiras adaptações. Eu publiquei o link para o blog dele semanas atrás).
http://www.4shared.com/document/4tgpt-jy/BRASIL_-_ERA_VARGAS.html
http://www.4shared.com/document/ldakFSi7/Brasil_Repblica_Liberal.html
http://www.4shared.com/document/s0EJ1dVW/Brasil_Repblica_-_Regime_Milit.html


Disputas pelas colônias portuguesas na América, diversidade da economia colonial e expansão territorial - primeiros anos
http://www.4shared.com/document/rRJIi6Ev/Disputas_europias_pela_colnia_.html

América Colonial Espanhola - Primeiros anos
http://www.4shared.com/document/Eo8ZokJA/A_Amrica_Colonial_Espanhola.html

Absolutismo inglês - primeiros anos
http://www.4shared.com/document/jrPOAvGn/O_Absolutismo_Ingls.html

Ainda falta um tema do primeiro ano, mas não vou utilizar slide nas aulas e para o terceiro falta sobre descolonização afro-asiática, que também não vou utilizar slide.

Abraços para todos
André
OBS: Caramba, estou morrendo de dores nas costas e pernas de tanto ficar sentado, corrigindo, montando aulas, provas, slides. Então, façam o favor de acessar isso e baixar, pois eu me empenhei nisso. hehehe
Novamente, abraços

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Segunda guerra - atualizado

Saudações, alunos dos segundos e terceiros anos que estão se divertindo com Segunda Guerra Mundial.

Aqueles vídeos que editei e levei para sala de aula são grandes demais e não coloquei em lugar nenhum da internet. Sem contar que eu ainda quero melhorá-los, sobretudo na edição do áudio. Eu atualizei o arquivo de power point utilizado ano passado com algumas fotos extras. Ai embaixo vão os links para download
Aquele arquivo com sonorização que chegou até mim via e-mail, mostrando o avanço das tropas
http://www.4shared.com/document/EgCQb-eu/2_guerra_mundial_-_avano_das_t.html

Meu slide de 2ª Guerra atualizado
http://www.4shared.com/document/WAKWRJMU/Segunda_Guerra_Mundial_-_atual.html

Slide com alguns comentários dos aviões utilizados na 2ª Guerra
http://www.4shared.com/document/vad1WQ3F/avies_da_Segunda_guerra.html

video do stuka em ação, com a trilha sonora de Richard Wagner
http://www.youtube.com/watch?v=FymTeD6RDzs

Caças Messerschmitt BF 109 em ação, aqueles que escoltavam os bombardeiros que atacavam a Inglaterra. Ao fundo, o hino do partido nazista
http://www.youtube.com/watch?v=2jLKoXGX2Tw

mais um do Messer
http://www.youtube.com/watch?v=EZ0dwg6v--w&feature=related

Só para constar, esta série de messerschimitt tinha um problema grave. Devido ao fato do nariz do avião ficar muito elevado, tanto para decolar como para pousar havia enorme dificuldade, por que o piloto não conseguia enxergar o chão direito.

Este vídeo aqui é muito legal. Trata-se de um vídeo de propaganda de guerra, dos ingleses, mostrando suas máquinas, suas vitórias durante a Batalha da Britânia, os ataques aéreos contra a Inglaterra. Os vídeos das batalhas são legais e o texto do narrador também é bem bacana. Nesta época, era comum as pessoas irem aos cinemas para verem notícias da guerra
http://www.youtube.com/watch?v=m0-fVLCnsBs

Este segundo vídeo mostra a produção de armas dentro das indústrias inglesas, destacando a produção de aviões. É muito legal a propaganda incitando os trabalhadores a trabalhar de forma disciplinada, chamando a responsabilidade da guerra não apenas para os soldados, mas também para os operários.
http://www.youtube.com/watch?v=WLOVzgew5Jw&feature=relmfu

Enfim... vou parar de trazer estas coisas por hora por que também preciso montar as edições finais para o material dos alunos dos primeiros anos. Abraços e divirtam-se

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A palhaçada das telecomunicações

Enquanto você navega pela internet, alguém está sentado planejando ganhar mais dinheiro com esta sua simples ação. Vejamos: nós pagamos pelo serviço da internet para as empresas que vendem o acesso (gvt, oi, telefonica, net, etc). O serviço é péssimo, principalmente o de tecnologia 3G, mas ainda assim pagamos, em muitos casos mais de R$ 100 por mês para ter acesso a internet. O salário mínimo nacional é de R$ 545, ou seja, é preciso gastar quase 20% do salário mínimo para ter acesso a um serviço de internet ridículo.

Segundo o site http://www.adnews.com.br/, temos mais de 80 milhões de usuários (http://www.adnews.com.br/internet/110788.html) da rede mundial de computadores. E se você não conhece este site e quer outro com uma "tradição de credibilidade" (embora já tenham errado várias pesquisas eleitorais), o IBOPE informou em março deste ano que somos 73 milhões de usuários (http://info.abril.com.br/noticias/internet/brasil-atinge-73-9-milhoes-de-internautas-18032011-32.shl).
Considerando ai famílias, vamos fazer de conta que 1/3 da população brasileira de usuários da internet pague RS 89 por mês, (certamente é muito mais que isso, pois há quem tenha plano de internet em casa e plano para celular), mais os servições telefônicos, somando ai uma conta de RS 130 por mês. Multipliquemos R$ 130 por cerca de 30 milhões de brasileiros. É lógico que há diferenças regionais e de planos de internet, mas mesmo assim dá para notarmos que ai vem um número grande prá caramba, um volume enorme de dinheiro.

Não acho que o lucro seja injusto, pelo contrário, todos temos o direito de melhorar e crescer, ganhar mais. Jamais condenaria o lucro, não estou a fim de inventar outro purgatório. O que é ridículo é o lucro desenfreado sem nenhum compromisso com as mazelas sociais.

Agora, vejamos a notícia de hoje:
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/968495-teles-querem-taxar-uso-pesado-da-internet.shtml

"As operadoras estão se articulando para convencer a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) a permitir que elas possam cobrar a mais de clientes que usam a internet de forma abusiva, informa reportagem de Julio Wiziack para a Folha.
A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
As teles também querem cobrar uma "taxa" de empresas como Google, Microsoft, Apple e Facebook. Motivo: essas companhias lançaram produtos e serviços que estão fazendo o tráfego de dados atingir níveis que podem levar as redes à saturação.
Por isso, as operadoras querem fazer a "gestão desse tráfego" e compartilhar investimentos por meio do pagamento dessa "taxa".
Para elas, não é justo que empresas cujo modelo de negócio se sustenta em acessos em suas redes faturem às suas custas sem colaborar com o desenvolvimento da infraestrutura do país."

Ai começa a palhaçada.
Então, se você paga pela internet e fica tempo demais no orkut, msn, facebook, você está usando de forma ABUSIVA. Se você faz downloads, está fazendo de forma ABUSIVA. Se você fica tempo demais vendo vídeos no youtube, danças, video-aulas, cachorros, gatos, música, também é ABUSIVO. Se você joga xbox live, é ABUSIVO. Se usa conteúdo da Aplle, é ABUSIVO.

A PALHAÇADA É: VOCÊ PAGA UM PREÇO ABUSIVO POR UM SERVIÇO RUIM E É CHAMADO DE ABUSIVO POR USAR.
E POR USAR, AS EMPRESAS ESTÃO EXIGINDO QUE O GOVERNO PERMITA QUE ELAS COBREM MAIS CARO DE VOCÊ.

Depois acham que o cliente é abusivo. E o que é que estas operadoras estão fazendo?? Não é abusivo também???

E detalhe: Estão querendo cobrar do google, youtube, empresas de internet em geral, que paguem para as concessionários por que os clientes das concessionárias abusam da internet ao entrar nestes sites.

Ora bolas, é justamente o conteúdo do google, do youtube, do faceboock, da aplle que, dia após dia, faz com que mais pessoas procurem as concessionárias para pagar pelo acesso a internet.

Então... palhaçada sem tamanho.

Um grande abraço de seu indignado Professor André

Mais corrupção moral, mais desvio de conduta, mais impunidade. Até quando?

Existem tantos problemas para resolver, mas o que mais me incomoda é a impunidade. Há uma máxima no direito que afirma que não é a violência da punição que pode conter o crime, mas a certeza de que o crime será punido. Não sou um estudioso da sociologia do crime, mas isso para mim me parece tão óbvio quanto dois mais dois são quatro. Todos nós pensamos duas vezes antes de colocar o dedo no nariz se vemos que alguém pode estar por perto e nos reprovar por esta atitude. Por que é certo que se alguém ver, vai condenar a atitude. A certeza desta condenação nos impede de fazer tal gesto. Agora, entrem sozinhos num elevador sem espelhos ou câmeras...

O fato é que eu vejo notícias como esta http://www.paulopes.com.br/2009/06/pastor-engravida-menina-e-afirma-foi.html, ou como a condenação sem punição para o Jaime Lerner, que coloquei em um post anterior, ou ainda leio uma notícia na qual o advogado do ex deputado Carli aparece dizendo que ele não deve ir para cadeia "por que sua pena já foi dada, sua imagem pública está para sempre arruinda". E quando vejo isso, me entristeço, pois me surge na cabeça a seguinte questão "é isso que nossa juventude está vendo? Que o crime compensa? Que quem erra não é punido?"

Isso vai totalmente contra o meu trabalho de professor, que busca ensinar além de conteúdos específicos da disciplina, valores morais UNIVERSALMENTE aceitos, mas ainda longe de vê-los em aplicação nas relações sociais humanas. Valores como a solidariedade, respeito à diversidade, caridade, responsabilidade para com o patrimônio público, desenvolvimento intelectual, entre outros.

O que me incomoda não é o crime que um menino de rua comete, ao assaltar um taxista ou um cobrador de ônibus para comprar uma pedra de craque ou fumar maconha. O que me incomoda é ver políticos desviando milhões da educação, da saúde para atender interesses podres deles mesmos e dos empresários que os apoiam em campanha. Me irrita saber que distribuição gratuíta de remédios para pobres é feita através da compra superfaturada dos mesmos remédios em laboratórios farmaceuticos cujos proprietários patrocinaram campanhas de deputados demagogos. É meu imposto fazendo este empresário farmaceutico ficar mais rico com o pretexto de melhor a saúde da população, sendo que todo mundo sabe que investimento em saúde pública e medicina preventiva sai muito mais barato. 

O que me incomoda é ver um judiciário que intencionalmente atrasa os processos que podem condenar estas elites pútridas, para inocentá-los por que o processo prescreveu. E no caso do judiciário há um problema maior ainda. Pelo menos, os deputados do legislativo e os membros do executivo eu "posso" tentar destituir com o voto. Juízes e promotores ficam no cargo para sempre e ainda liberam concessões de cartórios para seus familiares. Praticamente fundam dinastias neste poder e a coisa se configura quase como um Absolutismo do poder judiciários dentro da sociedade capitalista burguesa. Não consigo imaginar nada mais anacrônico que isso.

É perigoso um juiz mancomunado com o legislativo criar uma lei me proibindo de cutucar o nariz em logradouros públicos para manter a ordem e os bons costumes. Já me fazem trabalhar quatro meses por ano para pagar impostos. Não quero esperar a punição por tirar o tatu surgir para escrever um texto que conteste essa bizarrice institucional e exploradora que estamos vivendo.
Pronto, desabafei. E tirei o tatu.

Abraços
Prof. André

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Quando a polícia é que tem medo

Abaixo a transcrição da coluna desta quarta feira, dia trinta e um de agosto de dois mil e onze, do jornalista Clóvis Rossi da (FALHA) folha de são paulo. Para ler e pensar a respeito

Quando a polícia é que tem medo.

"El País", o grande jornal espanhol, publica na capa desta terça-feira uma foto que acaba sendo um instantâneo da triste história da violência na América Latina: três policiais mexicanos conduzem dois presos, acusados de responsáveis pelo incêndio em um cassino de Monterrey, na semana passada, que causou a morte de 52 pessoas.
Detalhe revelador --e assustador: os soldados estão encapuzados, só os olhos à mostra, ao passo que os detidos exibem o rosto descoberto, sem sinal de medo. Pertencem, diz a legenda, ao cartel dos Zetas, um dos muitos grupos do crime organizado que ensanguentam o México faz anos.
A legenda da foto deveria ser assim, para contar a história real: a polícia tem medo e esconde o rosto, mesmo cumprindo o seu dever; a criminalidade não teme nem a prisão nem a polícia.
No Brasil, estamos longe de um retrato similar? Acho que não. É só lembrar dois acontecimentos relativamente recentes:
1 - Os ataques do PCC em São Paulo, em 2005. A polícia ficou com medo dos criminosos. Tanto que passou a proteger suas dependências, temerosa da repetição de ataques. Em circunstâncias normais, postos policiais dispensam proteção porque os criminosos querem é passar longe deles.
2 - Sem o apoio das Forças Armadas, a polícia do Rio de Janeiro não teria conseguido recuperar territórios, como o Morro do Alemão, controlados pelo narcotráfico fazia já um bom tempo. Posto de outra forma: a força da polícia é inferior à do crime organizado.
Nesse cenário, dá até para entender a reação de uma parte do leitorado que apoia a violência da polícia exibida no vídeo do "estrebucha". Mas é uma reação completamente equivocada.
Primeiro porque permitir que a polícia funcione como pelotão de execução é dar um passo mais em direção à barbárie.
Segundo porque a única maneira de devolver o medo aos bandidos é reduzir o grau de impunidade, o que, por sua vez, passa, entre outros pontos, pelo reequipamento das forças policiais, pelo reforço do trabalho de investigação e inteligência e, na minha opinião, pelo aumento das penas e menor flexibilização na sua aplicação.
É mais difícil e mais demorado do que linchar algum prisioneiro, mas se linchamento fosse solução estaria nas leis de países em que a polícia não precisa esconder o rosto.

Disponível no site
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/968106-quando-a-policia-e-que-tem-medo.shtml

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Renascimento - parte 01

Daê moçada, aqui vai o slide sobre renascimento, mais para frente eu vou escrever um texto especial sobre o tema, por que é um dos que mais gosto de estudar. Um grande abraço
Prof. André
http://www.4shared.com/file/A3Cprjaj/Pinturas_Renascentistas.html

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Para perder a fé na humanidade??????

As vezes acho que ninguém lê este blog, nem o público alvo. Mas, tudo bem, não consigo perder a fé na humanidade e na educação. De qualquer forma, nesta quinta feira, 25/08/2011, saiu na [FALHA] folha de são paulo (sim, escrevo em mínusculo propositalmente) mais uma coluna do Hélio Schwartsman. Vou colocar ela aqui na íntegra, mas para quem quiser ler no próprio site da "FALHA", vai o link
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/964588-para-perder-a-fe-na-humanidade.shtml
Eu, particularmente, acho muito interessante as experiências descritas nos itens 4, 6 e 7.

Para perder a fé na humanidade

Desenvolvo hoje um matéria publicada na última segunda, mas que, por imposições do espaço físico, saiu num tamanho muito menor do que o ideal. A ideia era mostrar alguns experimentos que, tomados pelo valor de face, nos fazem perder a fé no gênero humano. Eles revelam fraquezas fatais da espécie, vieses constrangedores e ilusões cognitivas comprometedoras.

Antes, porém, de concluir pela inviabilidade do Homo sapiens, vale lembrar que também seria possível levantar experiências que sugerem, à maneira de Rousseau, uma natureza humana boa, capaz de altruísmo autêntico, de transcendência e de produzir conhecimento. O problema é que, entre os "bugs" implantados em nosso cérebro, está um que nos impele a ver o mundo como uma sucessão de dicotomias --somos bons ou maus?, a vida tem ou não um propósito?, somos só bichos ou ultrapassamos a animalidade?--, quando a realidade é mais bem descrita num "continuum", que admite o convívio de nossas falhas e virtudes.
Meus amigos do caderno Ciência fizeram o que era possível para adequar as copiosas descrições que eu lhes enviara aos parâmetros do jornal que, receio, sacrifique cada vez mais os textos em favor de imagens e outras firulas. Mas, como eu acho que frequentemente a genialidade de um experimento está em seus detalhes, volto à carga, trazendo mais casos (não couberam todos) e seus às vezes indispensáveis pormenores. Prometo, porém, que vou poupar o leitor das tecnicalidades mais aborrecidas. Divirtam-se.

1. Stanford Prison Experiment (SPE)

O que importa é o caráter das pessoas, certo? Talvez não. Em 1971, o psicólogo Philip Zimbardo estava interessado em descobrir se traços de personalidade de prisioneiros e guardas explicavam situações abusivas nas cadeias. Para tanto, decidiu criar um simulacro de xadrez no porão do Jordan Hall (sede do Departamento de Psicologia da Universidade Stanford).

Recrutou 24 voluntários em perfeita saúde mental. Num sorteio, parte do grupo ficou com o papel de guarda, e o restante, com o de prisioneiros. Estes receberam um uniforme e um número, pelo qual passaram a ser chamados. Os guardas ganharam vestes militares, óculos escuros e um cassetete. Foram instruídos a assustar os presos, mas jamais usar força física contra eles.

Rapidamente as coisas saíram de controle. Os guardas começaram a mostrar-se cada vez mais cruéis para com os prisioneiros, que, depois de uma tímida tentativa de rebelar-se, foram aceitando docilmente as humilhações a eles impostas. Eram forçados a participar de contagens e a fazer exercícios como sanções disciplinares. O próprio Zimbardo se deixou absorver pela situação e pelo papel de superintendente. Foi só depois que sua namorada visitou o local e constatou que limites éticos haviam sido rompidos, que o psicólogo começou a questionar a moralidade da situação. No sexto dia, o experimento, concebido para durar duas semanas, foi interrompido (e sob os protestos dos guardas).

A moral da história é que o comportamento dos participantes foi em larga medida ditado pela situação em que se encontravam, com papéis que lhe foram aleatoriamente atribuídos, e não apenas por traços de sua personalidade. É um "insight" para compreender situações como Abu Ghraib e até fenômenos sociais como o nazismo.

2. Milgram

Na mesma linha do SPE, mostra que, quando a situação o exige, pessoas normais são capazes de coisas terríveis. Em 1963, Stanley Milgram, da Universidade Yale, descreveu experimentos nos quais voluntários são convidados por um pesquisador a aplicar choques elétricos num ator como punição por respostas errada num teste de memória. O voluntário, é claro, não sabe que seu companheiro é um ator e que a máquina de choque é falsa. Não obstante, quando instados pelo pesquisador a aumentar a voltagem dos choques falsos, 65% obedeceram até chegar à carga máxima de 450 volts, apesar dos gritos do ator.

3. "Political junkies", o prazer com a contradição

Ao decidir o voto, colocamos a razão a serviço do bem comum, como quer a turma do politicamente correto, ou de nossos interesses, na versão cínica. Esqueça. Isso é bobagem. O psicólogo Drew Westen (Universidade Emory) mostrou que, também na política, as emoções falam mais alto que a lógica. Ele enfiou 15 eleitores do Partido Republicano e 15 do Partido Democrata num aparelho que monitorava a atividade de seus cérebros enquanto seus candidatos do coração apareciam em situação desfavorável. A cada um dos participantes foram apresentadas seis situações fictícias que mostravam flagrantes contradições de John Kerry (candidato democrata), seis de George W. Bush (republicano). Ao final de cada situação, o participante tinha de dar uma nota, indicando se achava que o candidato havia caído em contradição e em que grau, de 1 (discorda fortemente) a 4 (concorda fortemente).

Como previsto, os eleitores não tiveram dificuldade para perceber a contradição do candidato a que se opunham, colocando a avaliação média perto de 4. Já as contradições dos postulantes de sua preferência receberam nota próxima a 2. Analisando as imagens do "scanner", os cientistas puderam reconstituir os passos da razão eleitoral de suas cobaias. Quando os eleitores foram confrontados com informação potencialmente ameaçadora a suas convicções, foram ativadas redes de neurônios associadas a estresse. O cérebro percebe o conflito entre os dados e o desejo e começa a procurar meios de desligar o interruptor que deflagrou a emoção negativa. Em seguida, os circuitos ligados à regulação de estados emocionais recrutam crenças capazes de eliminar o estresse. É por isso que a contradição é apenas fracamente percebida. Os circuitos normalmente envolvidos no raciocínio lógico quase não são ativados.

A surpresa foi constatar que esse processo de relativização das contradições não se limita a desligar as emoções negativas. Ele também dispara emoções positivas, acionando circuitos do sistema de recompensa, que em grande parte coincidem com as áreas ativadas quando viciados em drogas tomam uma dose de manutenção.

4. Professor Fox

O importante é ter conteúdo. Essa é outra balela. Aparências são muito mais importantes. Em meados dos anos 70, psicólogos da Universidade da Califórnia criaram o Dr. Myron L. Fox. Ele era uma fraude. Não havia nenhum Dr. Fox e seu currículo foi completamente inventado. Para representá-lo, contrataram um ator charmoso que deu uma aula sobre "teoria dos jogos matemática aplicada à educação física". A aula não passava de um amontoado de bobagens sem sentido, repleta de frases de duplo sentido, contradições e neologismos. Mas o ator era bom e dizia essas coisas com clareza, confiança e autoridade.

A plateia, composta por psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, adorou. Na hora de avaliá-lo, deu-lhe notas positivas, incluindo 100% de aprovação no quesito "estímulo ao pensamento".

Vídeos da aula do Dr. Fox foram exibidos a outros públicos, incluindo um formado por professores e administradores de cursos de pós-graduação. E o Dr. Fox recebeu excelentes notas de todas as audiências.

5. Mentirosos compulsivos

A honestidade, pelo menos, continua sendo um valor. A maioria das pessoas é honesta. Será? O psicólogo Robert Feldman gravou secretamente várias conversações entre duas pessoas em ambientes naturais (lojas, universidade etc.). Depois, as convidou a revisar o vídeo, apontando as "inexatidões" em que haviam incorrido. Detalhe importante, os participantes não sabiam que o pesquisador estava interessado em mentiras.

A conclusão básica de Feldman é que, no curso de uma conversação de meros dez minutos em que dois adultos se apresentam, eles mentem uma média de três vezes cada, podendo chegar a 12 nos casos mais extravagantes.

6. Eles estão loucos

Tudo bem que temos todos a tendência de mentir, de nos tornar torturadores e que a política e a educação podem não passar de uma fraude, mas pelo menos ainda conseguimos distinguir a sanidade da insanidade. Nem isso. Num célebre experimento de 1973, o psicólogo David Rosenhan e sete associados, todos sãos, apareceram em diferentes hospitais psiquiátricos queixando-se de estar ouvindo vozes. sete deles foram internados com o diagnóstico de esquizofrenia. O oitavo, segundo os médicos, sofria de psicose maníaco-depressiva (doença que hoje leva o nome de transtorno bipolar).

Uma vez internados, eles passaram a agir normalmente e de forma colaborativa, afirmando que as vozes tinham sumido. Mas sair era mais difícil do que entrar. A estadia média foi de 19 dias (variando de 7 a 52), durante os quais os pseudopacientes receberam drogas (no total, 2.100 pílulas, das quais apenas duas foram ingeridas).

A parte mais divertida, porém, é que, embora nenhum dos médicos e enfermeiros tenha notado que os pesquisadores não estavam doentes, 35 de um total de 118 pacientes perceberam. "Você não é louco. É jornalista ou professor", disse um dos internos.

E as coisas não acabam aqui. Ao tomar conhecimento de que Rosenhan preparava seu artigo, representantes de um hospital lhe escreveram dizendo que jamais cairiam num truque barato desses. Rosenhan aceitou a provocação e escreveu de volta propondo um desafio. Nos três meses seguintes, ele enviaria ao hospital um ou mais pseudopacientes, que a instituição deveria identificar como tal. Dos 193 pacientes admitidos no hospital no período, 41 foram classificados como impostores e 42 como possíveis fraudes. Só que Rosenhan blefara e não havia mandado nenhum pseudopaciente.
"Está claro que não conseguimos distinguir os sãos dos insanos em hospitais psiquiátricos", concluiu o pesquisador.

7. O gorila invisível

Já que o mundo que nos rodeia é insano, a solução é voltarmo-nos para dentro de nós mesmos. Complicado, porque nosso cérebro também nos prega peças. Um experimento seminal de 1999 conduzido pelos psicólogos Christopher Chabris e Daniel Simons traduz com muito bom humor o tamanho da encrenca. Eles fizeram um vídeo no qual seis pessoas (três vestindo camisetas brancas, e três, pretas) trocam passes com duas bolas de basquete. Participantes da pesquisa são instruídos a contar mentalmente os passes do pessoal de branco enquanto assistem ao vídeo. A uma dada altura, um sujeito fantasiado de gorila entra em cena, encara a câmara, bate no peito e se retira. Ele aparece na tela por 9 segundos.

Você o notaria? A esmagadora maioria das pessoas responde com um sonoro "sim". Como não perceber um gorila que fica em cena por quase 10 segundos? Mas não interessa muito o que imaginamos, o fato é que 50% das cobaias simplesmente não veem o símio, porque estão ocupadas contando. O experimento, que rendeu a seus autores o prêmio IgNobel de 2004, foi repetido com diferentes públicos em diferentes países com resultados sempre semelhantes.

A ideia básica é que, embora imaginemos que podemos enxergar tudo o que aparece à nossa frente, só temos consciência de uma pequena porção das coisas que estão em nosso campo visual. Em geral, vemos aquilo que o cérebro já espera encontrar.

8. Carteira escocesa

Talvez nossa boia seja a bondade alheia. Mas mesmo as boas intenções são moldadas por preferências irracionais. O psicólogo Richard Wiseman, da Universidade de Hertfordshire, resolveu espalhar 240 carteiras pelas ruas de Edimburgo. Elas não continham dinheiro, apenas documentos de identidade, cartões de fidelidade, bilhetes de rifa e fotografias pessoais. A única variação eram as fotos. Algumas das carteiras não tinham foto nenhuma (era o grupo controle) e outras traziam imagens que podiam ser de um casal de velhinhos, de uma família reunida, de um cachorrinho ou de um bebê.

A meta do experimento era descobrir se a fotografia afetaria a taxa de devolução das carteiras. Num mundo perfeitamente racional, a imagem seria irrelevante. Devolve-se o objeto perdido porque é a coisa certa a fazer. O trabalho de colocá-lo numa caixa de correio não é tão grande assim e é o que gostaríamos que os outros fizessem, caso fôssemos nós que tivéssemos perdido os documentos.

É claro, porém, que as fotografias influíram nos resultados. Foram devolvidas apenas 15% das carteiras sem foto, pouco mais de 25% das que traziam a imagem dos velhinhos, 48% das da família, 53% das do filhotinho e 88% das do bebê.

9. Libet

OK. Não podemos confiar em nenhuma instituição, pessoa, nem nos nossos sentidos e em partes de nosso cérebro, mas ainda temos o livre-arbítrio, não é mesmo? Provavelmente não. Num experimento seminal dos anos 80, Benjamin Libet, da Universidade da Califórnia, ligou seus alunos a aparelhos de eletroencefalograma e demonstrou que a atividade cerebral inconsciente que faz alguém mover o braço, por exemplo, precede em pelo menos meio segundo a "decisão consciente" de mexer o braço.

A partir daí, neurocientistas desenvolveram vários experimentos semelhantes, obtendo a corroboração dos resultados. Hoje são mais ou menos unânimes em afirmar que o livre-arbítrio não é mais do que uma ilusão, um efeito colateral de vários sistemas cerebrais ligados em rede, que nos leva sinceramente a crer que nossas decisões brotam da mente consciente. Pensando bem, isso talvez não seja um problema, pois há vários experimentos fortemente sugestivos de que também a consciência não passa de uma ilusão.

Fontes: "The Lucifer Effect", "Political Brain", "Future Babble", "The Moral Landscape", "The Believing Brain", "The Invisible Gorilla", "The Liar in Your Life", "Self Comes to Mind"

Deixo aberto para você, caríssimo aluno-leitor, a interpretar e opinar.
abraços

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

República Velha - Ordem e Progresso

Como eu havia prometido, chegamos na parte da História do Brasil que eu mais gosto e que para mim é realmente a mais legal de estudar. É lógico que Época Colonial e Imperial tem suas especificidades, seu valor, mas para mim, muitas coisas que estão vivas no Brasil atual são frutos direto das mudanças que aconteceram com o advento da Primeira República. Gostaria de montar um texto mais amplo aqui, mas está na hora do almoço e vou só deixar os slides.
Em tempo, este arquivo não é o original. Eu peguei de um outro blog cujo endereço vai aqui abaixo:
http://www.ailton.pro.br/aulas.html
Utilizei este arquivo e fiz umas pequenas incursões de textos e imagens. Façam bom proveito.
http://www.4shared.com/get/A8XYfWF2/REPUBLICA_VELHA.html
Abraços.