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sábado, 27 de abril de 2013

Observar anacronismo


            Anacronismo é a falta contra a cronologia. É um erro na interpretação de acontecimentos e contextos, consiste em atribuir a uma época, a um personagem da história, sentimentos, costumes que são de outra época. Falta de alinhamento, consonância com um determinado período de tempo, com uma época. Esta definição, comum em qualquer dicionário, insere para os vestibulandos uma dica extremamente útil para a resolução de questões.
            Ao se depararem com uma categoria de análise, com um termo que possua identificação com um período específico da história, sendo emprestado para explicar uma época ou fenômenos associados a outros momentos históricos, fatalmente encontraremos neste uso do termo, um uso anacrônico. Por exemplo, a palavra "Estado" não se aplica às formas de governo criadas na antiguidade por que "Estado" está associado às idades modernas e contemporâneas. O conceito "indústria" não pode ser utilizado para explicar nada anterior aos séculos XVIII e XIX. Bem como enxergar "luta de classes" na antiguidade é coisa de marxista com formação deficiente.
            Em resumo, quando se estuda história, sempre há diversas possibilidades de interpretação das épocas e dos documentos. Quem pesquisa a história deve tomar cuidado com o uso de categorias de pensamento anacrônicas. Quem vai fazer vestibular deve observar atentamente se as questões que estiverem na frente possuem categorias anacrônicas. Mas vale ressaltar também que é comum que o anacronismo seja um instrumento de análise de como determinado passado foi construído, tal como a questão que caiu no vestibular 2012/2013 que envolvia a apropriação que os ingleses fizeram para si de eventos e características ligadas com a Guerra do Peloponeso. Nós, eventualmente, utilizamos características, conceitos, do passado para entendermos questões atuais. Até ai, tudo bem, normal, o que não se pode fazer é querer cobrar dos homens medievais que fossem menos machistas. Ai estaríamos jogando uma característica nossa e exigindo algo do passado que ele não pode responder. Esta observação é essencial para quem vai fazer provas de segunda fase em história.
                  Bem, é isso ai. Espero que estas informações tenham sido úteis. Um grande abraço.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

UNIOESTE

Unioeste anuncia adesão parcial ao Sisu para processo seletivo

Decisão foi tomada nesta quinta-feira (11), em Cascavel, no Paraná.
Unioeste é a primeira universidade do estado a aderir ao Sisu.

Do G1 PR, em Cascavel
A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel, no oeste do Paraná, decidiu aderir parcialmente ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A decisão foi tomada pelos Membros do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE), durante uma reunião extraordinária realizada na tarde desta quinta-feira (11).
segundo a instituição, a partir deste ano, o processo seletivo será dividido em dois formatos, sendo 50% das vagas selecionadas pelo Sisu e 50% das vagas pelo vestibular tradicional. Além disso, o processo será classificatório e a prova de conhecimentos gerais terá maior peso nas notas das questões referentes à área de conhecimento do curso escolhido.
O Sisu é o sistema informatizado, gerenciado pelo Ministério da Educação (MEC), no qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos participantes do Enem.
fonte: globo.com

Vestibular de inverno UFPR

A partir do dia 21 estarão abertas as inscrições para a UFPR-Litoral.
Vale a pena ir atrás disso, pessoal.
 
 

Vestibular - nova lei

Informação relevante para alunos de terceiro ano do médio, de escola pública e/ou bolsistas em escolas privadas

De acordo com a nova lei federal, os alunos com este perfil não terão que pagar as taxas de inscrição para a realização da prova do vestibular. Excelente novidade.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Dossiê - repostagem de 2012

               COMO EU HAVIA PROMETIDO, VAI ABAIXO UMA LISTA DE PERSONALIDADES IMPORTANTES NO CONTEXTO DA REVOLUÇÃO FRANCESA, PARA TODOS AQUELES QUE NA PESQUISA SOLICITADA SE DISPUSERAM A FAZER O DOSSIÊ.

REI LUIZ XVI

RAINHA MARIA ANTONIETA

ROBESPIERRE

JEAN PAUL MARAT

GEORGES JACQUES DANTON

JACQUES HÉRBERT

HONORÉ GABRIEL RIQUETI, CONDE DE MIRABEAU

MARQUÊS DE LA FAYETTE

NAPOLEÃO BONAPARTE

Giuseppe Guilhotin         

Jacques Louis David

Se eu fosse aluno e fosse fazer o dossiê, escolheria Robespierre ou Marat, mas a escolha é de vocês. Em tempo, no link abaixo tem uma postagem deste blog no qual coloquei o link que conduz ao blog do Professor Maurício Oyuama, amigo meu e que andou viajando pela França há dois anos atrás. O link em questão traz um texto muito bacana sobre o Palácio de Versalhes e várias fotos que ele fez por lá.
http://professor-andre-rockstar.blogspot.com/2011/02/o-palacio-de-versalhes.html
Desde já, um grande abraço para todos.

sábado, 2 de março de 2013

Slide de Revolução Francesa

Saudações alunos

Ainda não consegui colocar na minha agenda um tempo para cuidar do blog como eu gostaria, mas vou fazendo o que posso. Atualizei o slide de Rev. Francesa e coloquei elen o 4shared no link:
http://www.4shared.com/office/cMF0OONx/revoluo_francesa.html?

Em tempo, o post do blog do meu amigo Prof. Mauricio, que visitou Versalhes está neste link:

http://devirnomadeviagem.blogspot.com.br/search/label/Versalhes
Vale a pena ver as fotos e o texto.
Em tempo, estou aproveitando para colocar o link do texto da aluna Juliana, que achei bem legal, para vocês todos lerem também.

http://segundoanossj.blogspot.com.br/search/label/Historia

Abraços e até a próxima

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

2ª FASE UFPR - HISTÓRIA

Boa noite moçada. Decidi que iria aproveitar um pouco do meu tempo de hoje para comentar questão por questão da prova de história da segunda fase da ufpr. Sem mais delongas, vamos ao trabalho.

Questão 01

Considere a seguinte afirmação sobre o termo bizantino:
“É essencial lembrar que bizantino não tem conotação étnica, mas civilizacional (...). O termo bizantino foi vulgarizado apenas a partir do século XVI, depois do desmembramento do império, que, em vida, se via como herdeiro e continuador do império Romano.” (FRANCO JR., Hilário; ANDRADE FILHO, Ruy de Oliveira. O Império Bizantino. SP: Brasiliense, 1987, p. 7-8)
Em que medida o Império Bizantino pode ser considerado herdeiro e continuador do Império Romano? Estabeleça as diferenças entre esses dois impérios entre os séculos V e VII.

Consideraria esta questão, numa escala de dificuldade de zero até 10 com uma nota 6, não tanto pela dificuldade dela, mas mais pelo fato de que Civilização Bizantina não é um dos temas de história visto com tanta profundidade em apostilas e materiais didáticos. Mas, quanto ao conteúdo cobrado, dava para responder tranquilamente se fosse enfatizado que o Império Bizantino preservou a arquitetura, a religião do final do império, literatura, escultura e sobretudo o direito romano. Dava para enfatizar as diferenças no que diz respeito a menor dependência do escravismo no império do oriente em relação ao ocidente, bem como destacar que a parte oriental nasceu cristã, enquanto a parte ocidental se cristianizou.

Questão 02 


Durante o período das Cruzadas, São Bernardo de Claraval (1090-1153) escreveu: 
“Mas os soldados de Cristo combatem confiantes nas batalhas do Senhor, sem nenhum temor de pecar por pôr-se em perigo de morte e por matar o inimigo. Para eles,  morrer ou matar por Cristo não implica qualquer crime, pelo contrário, traz a máxima glória. (...) Em outras palavras: o soldado de Cristo mata com a consciência tranquila e morre com a consciência mais tranquila ainda.” (São Bernardo de Claraval apud COSTA, Ricardo da. Apresentação: A Cruzada Renasceu? BLASCO VALLÈS, Almudena, e COSTA, Ricardo da (coord.). Mirabilia 10. A Idade Média e as Cruzadas. jan.-jun. 2010/ISSN 1676-5818, p. XIII)

No que se refere às Cruzadas no período medieval, determine quem eram esses soldados de Cristo referenciados no trecho acima, quais as motivações para empreender suas batalhas e quais as suas consequências para o mundo ocidental daquele período.

Na minha escala de dificuldade, esta eu daria nota 2. Só erraria esta quem nunca prestou atenção nas aulas de transição da Alta para a Baixa Idade Média. Cruzadas é sempre um assunto fascinante, que mexe com a imaginação e, bem ou mal, devido a excessiva exposição deste conteúdos em romances de ficção histórica e cinema, todo estudante teve pelo menos algum contato com ele. Vamos à resolução.
Identificar os solados é fácil, basta chamá-los de cavaleiros cruzados, oriundos de uma nobreza feudal que ambicionava expandir a fé cristã, retomar o controle de Jerusalém em função de sua importância religiosa e conquistar terras, uma vez que a questão das primogenituras dificultava o acesso à terras para os filhos mais novos dos nobres. Ela pode ser concluída enfatizando o fracasso militar das campanhas e seu resultado "inesperado", que foi a abertura de rotas comerciais entre ocidente e oriente, auxiliando no processo de derrocada final do sistema feudal.


03 - Considere os dois extratos de documentos abaixo: 
1. Ilustrações publicadas na obra “De humani corporis fabrica”, do médico belga André Vessálio (1543).
(Fonte: http://www.nlm.nih.gov/exhibition/historicalanatomies/vesalius_home.html).




















2. “Aconselho-te, meu filho, a que empregues a tua juventude em tirar bom proveito dos estudos e das virtudes (...) Do direito civil quero que saibas de cor os belos textos e que mos compare com filosofia. Enquanto ao conhecimento das coisas da natureza, quero que a isso te entregues curiosamente (...) depois (...) revisita os livros dos médicos gregos, árabes e latinos, sem desprezar os talmudistas e cabalistas, e por frequentes anatomias adquire perfeito conhecimento do outro mundo [o microcosmos] que é o homem.” (RABELAIS, François. Pantagruel [1532]. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, 1976, v. 11)
Considerando os documentos acima,  além dos conhecimentos sobre o período, disserte sobre as principais 
características do Renascimento, relacionando-as com as transformações sociais em curso na Europa.


Questão mais trabalhosa do que necessariamente difícil. A temática do humanismo é vista tanto em história quanto em literatura e por isso, foi visitada e revisitada certamente durante todo o ensino médio. O vestibulando deveria responder nesta questão as características essenciais do Renascimento, a quebra do paradigma de pensamento católico, da ontologia aristotélica (quem teve aula comigo lembra disso), a valorização do racional, da experiência objetiva. Deveria também escrever que tal movimento teve impacto nas artes (literatura, escultura, pintura), bem como influenciou no processo de derrocada do poder da igreja católica, centralização do poder real, nas reformas religiosas, nas descobertas científicas que possibilitaram as grandes navegações, entre outros.

Questão 04

Considere a afirmação do historiador Pedro Paulo Funari:
“A guerra do Peloponeso não deixou de ser, até os nossos dias, uma narrativa histórica maior. Pode parecer espantoso ver como recorrente um uso político contemporâneo de um conflito tão distante no tempo e concernente a uma realidade histórica tão específica quanto a das cidades gregas. Com efeito, os primeiros a lerem, relerem e a se inspirarem em Tucídides foram as elites britânicas. Desde os primórdios da Inglaterra moderna, nascida dos conflitos com o continente, os ingleses abandonaram todas as pretensões de potência terrestre europeia, em proveito  da conquista dos mares.” (FUNARI, Pedro Paulo. Usos da Guerra do Peloponeso. Revista Brasileira de História Militar. Ano II, n. 4, abril de 2011)

Com qual cidade-Estado os ingleses se identificaram nos relatos de Tucídides sobre a Guerra do Peloponeso? 
Justifique sua resposta, explicando o que foi a Guerra do Peloponeso, no que se refere aos principais envolvidos, a suas motivações e às consequências para o mundo grego.


Esta foi, de longe, a questão que julguei mais difícil e que gostei mais. Quem pôde acompanhar as minhas conversas sobre provas de segunda fase foi preparado para observar que poderia ser cobrado relações, comparações envolvendo grandes períodos de tempo. Eu destaquei diferentes formas de escravidão na história, diferentes revoluções, mas por esta aqui eu realmente não esperava. Questão desafiadora e difícil. Ganha 10 na minha escala de dificuldade. Adorei respondê-la na hora da prova. Vou tentar reproduzir a minha resposta, embora agora seja meio difícil, mas confiem na minha memória. Vamos lá. Eu respondi assim:

A Guerra do Peloponeso foi o conflito que envolveu de um lado a pólis de Esparta (potência militar e agrária) contra Atenas (potência comercial e naval). Se os ingleses se identificaram com alguma delas, certamente foi com Atenas. Esta cidade exerceu uma grande hegemonia sobre outras pólis, desenvolveu uma grande rede de comércio naval, negociando produtos agrícolas e manufaturados com suas colônias no mundo conhecido da época, o mediterrâneo. A Inglaterra fez feito semelhante no século XVIII, XIX e XX, exercendo a hegemonia imperialista por todo atlântico e índico, em um mundo que comercialmente começava a se globalizar. Os ingleses facilmente poderiam se ver como a continuidade dos atenienses neste sentido, pois fizeram feito semelhante na era contemporânea.
A Guerra em si foi motivada pela disputa de poder entre as duas pólis e acabou fragilizando todas as cidades-estados gregas que facilmente foram depois conquistadas pelos macedônicos, que possuía tendências para diminuir a autonomia das pólis e centralizar o poder.

Nesta resposta que escrevi agora, eu incrementei algumas coisas. A que foi para a correção era mais enxuta.

Questão 05

Leia o trecho do discurso do presidente da República Bolivariana da Venezuela, Hugo Chávez, na 60ª assembleia da ONU, em 2005:  

“Pois bem, nós lutaremos pela Venezuela, pela integração latino-americana e pelo mundo. Reafirmamos aqui nesse salão, nossa infinita fé no homem, hoje sedento de paz e de justiça para sobreviver como espécie. Simón Bolívar, pai de nossa pátria e guia de nossa revolução, jurou não dar descanso a seu braço, nem repouso a sua alma, até ver a América livre. Não demos nós descanso a nossos braços, nem repouso a nossas almas até salvar a humanidade.” (CHAVEZ, H. apud SOUZA, Maria de Fátima Rufino de; MARQUES DA SILVA, Maria Zélia. Bolívar, para além das representações e discursos políticos. Ameríndia. Vol. 5, número 1/2008, p. 3)

Discorra sobre os problemas  de implantação  do projeto de desenvolvimento almejado por figuras políticas como Simón Bolívar e San Martin para as ex-colônias hispânicas no século XIX. Em seguida, explique por que e de que forma a figura de Bolívar é lembrada e cultuada nos dias atuais na política latino-americana.


Considerei esta questão de dificuldade 7,5. A temática da libertação da América espanhola não nós provoca uma relação de identificação instantânea. Quase sempre os professores trabalham este conteúdo de forma comparativa com o processo de independência do Brasil, o que é uma falha da maioria dos materiais didáticos a disposição. A dinâmica dos conflitos entre as elites criollas é tão intensa que uma aula de 50 minutos sobre este tema é fazer pouco caso deste importante momento da história da América Latina.
Nesta resposta é importante ressaltar a perspectiva de integração política para a América Latina em Bolívar e San Martin e enfatizar que o desejo de negociar produtos primários com os grandes centros capitalistas fez com que as elites criollas não chegassem a um consenso acerca deste projeto político, o que acabou levando a conflitos regionais e ao insucesso do projeto político de integração. Tal processo acabou levando a uma relação de dependência de capital estrangeiro muito grande, o que levou a uma estagnação e atraso no desenvolvimento das economias hispano-americanas. Ao ser resgatada a memória da luta dos libertadores, observa-se um discurso que defende uma nova luta por independência, desta vez, do capital estrangeiro e do imperialismo, sobretudo o norte americano. Tal discurso é facilmente percebido em governos como o de Chavez e do de Evo Moralez. 

Infelizmente, a partir de 2013 não poderei mais fazer a piada que o Corinthians pretendia contratar um jogador chamado Simon Bolívar e outro Chamado San Martin só para dizer que tinha libertadores da América.

Questão 06

“A descolonização, essa ‘troca de soberania’, não teve como causa exclusiva a luta dos povos por sua libertação.” (FERRO, Marc. História das colonizações: das conquistas à independência – séculos XIII a XX. SP: Cia das Letras, 1996, p. 346)

Comente essa frase, dissertando sobre os fatores que influenciaram de forma geral os movimentos de emancipação nacional das colônias europeias na Ásia e na África dos anos 1940 a 1970. Em seguida, explique por que o autor referiu-se à descolonização como “troca de soberania”.


Parece que a temática do imperialismo norteou a elaboração desta prova. Podemos observar a presença deste elemento nas questões 04. 05, 06 e 10. Ela aparece aqui novamente na 06 com uma perspectiva diferente: a do fim do neocolonialismo. Boa questão, não muito difícil, eu diria que é 05 de dificuldade. Bastava ser objetivo que dava para superar o exercício tranquilamente. Como exaustivamente estudado, tanto em Geografia como em História, a África e a Ásia passaram por um processo de ocupação ao longo dos séculos XIX e XX. Com a fragilidade militar e econômica europeia após as duas grandes guerras, havia um cenário altamente favorável pela busca da independência das colônias afro-asiáticas e isso deveria estar presente na questão, bem como deveria se destacar que o conceito iluminista de auto-determinação dos povos também foi introduzido nas sociedades africanas e alimentou a luta pela emancipação política. A Europa, que em nome da auto-determinação havia expulsado o nazismo, não poderia ser hipócrita a ponto de defender a manutenção dos impérios coloniais (embora alguns burgueses ingleses e franceses assim o quisessem). No que diz respeito a "troca de soberania", vale destacar que as novas nações, agora emancipadas, acabaram se vendo nas mãos das grandes corporações globais e sobretudo, nas mãos da política externa norte-americana, que passaria a exercer influência sobre a região dentro do contexto da guerra fria.

Questão 07

No Brasil, os vinte primeiros anos do século XX foram marcados por uma série de greves em vários setores 
produtivos nos nascentes centros urbanos. Disserte sobre as principais reivindicações dos grevistas naquela época, a importância dos trabalhadores imigrantes no movimento e os resultados deste movimento social ao final dos anos 1910.

Seria perfeito quando você lesse "final dos anos 1910", que pensasse nos movimentos grevistas que aconteceram em São Paulo, sobretudo a Greve Geral de 1917. Aqui deveria ser ressaltada a importância dos trabalhadores italianos que fomentaram a criação de sindicatos e associações de operários, por que estes já conheciam algumas ideologias políticas desde a época em que viviam na Europa, como o trabalhismo, anarquismo e socialismo. "Disserte sobre as principais reivindicações dos grevistas" chega a ser uma sacanagem. Trabalhador em greve quer sempre as mesmas coisas: Aumento de salário, melhores condições de trabalho, redução da carga de trabalho, criação de leis trabalhistas, estas coisas. O caos gerado por conta destas manifestações deu um susto nas elites brasileiras, acostumadas com a obediência quase servil dos camponeses. Também pudera, até meados da década de 1930 quem governava este país era basicamente fazendeiros. O impacto destas manifestações promoveu uma reflexão sobre a sociedade brasileira, sobre a necessidade de se reformular os estatutos políticos nos quais se assentavam a organização do Estado Brasileiro. Estas greves foram impactantes pois, trouxe a tona esta nova discussão, influenciando os jovens tenentes do exército a ter uma nova atitude ante a realidade política, ação que foi derrotada em 1922, mas ajudou e muito a organizar o movimento revolucionário de 1930, que tirou uns fazendeiros do poder e colocou outros, deixando tudo do mesmo jeito de sempre, só que não...


Questão 08


“Diria o historiador cearense Gustavo Barroso sobre os cangaceiros: foram heróis e bandidos. Barroso prefere unir os dois adjetivos com a conjunção ‘e’ do que usar ‘ou’ para excluir uma das opções” (MILLAN, Polianna. “Heróis ou bandidos?”. Gazeta do Povo. 12/07/2008. http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=786236)

Comente a ideia defendida pelo historiador, explicando o contexto histórico da atuação dos bandos de cangaceiros do final do século XIX até 1940 e explorando as diferentes interpretações conferidas a esses personagens.



De todos os movimentos sociais da República Velha, só faltava o cangaço para ser lembrado numa prova da UFPR. Eu não cantaria esta bola nunca, mas a questão foi bem boa e ao solicitar as diferentes interpretações acerca de tal movimento, elevou o nível de dificuldade. Bom para quem teve aula deste tema discutindo interpretações historiográficas, como eu costumo fazer.

Nesta questão deveria explicar-se inicialmente que o cangaço é fenômeno do contexto da República Velha e da prática do coronelismo; da exclusão dos mais pobres ao acesso a terra e a cidadania plena. Deveria ser ressaltado que uma historiografia mais de esquerda (não necessariamente com estas palavras), tem a tendência de colocar os cangaceiros no status de Bandido Social, que divide o espólio dos assaltos aos grandes latifundiários com os mais pobres; que este bandido surge no sertão em função da sua condição de pobreza material. Esta é a análise de um marxista pouco relevante segundo a revista Veja, chamado Eric Hobsbawn. Veja: que irrelevante.
Poderia se concluir a questão enfatizando que acerca dos cangaceiros também se construiu a noção de que eram homens cruéis e sem civilidade, que se colocavam a disposição de alguns latifundiários para prejudicar a outros, que não respeitavam a lei, ao poder público, a república e a propriedade privada. Bandidos para uns, heróis para outros.


Questão 09


“O processo de construção da unidade territorial e da formação do Estado no Brasil tem que ser visto como fruto de um longo consolidar de interesses e projetos em disputa, o que nos leva a  concordar com Ilmar R. de Mattos, quando afirmou a impossibilidade de se conceber a consolidação do Estado brasileiro antes da década de 1840.” (PEREIRA, Aline Pinto. O Arquivo Nacional e a História Lusa-brasileira. Disponível em: http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1440&sid=128)
Discorra sobre os interesses e projetos em disputa que impediram a consolidação do Estado nacional antes  dos anos 1840.


Questão de dificuldade 05. Fazia anos que eu não via cair nada sobre o Período Regencial. Durante minhas aulas sobre este período da história do Brasil eu enfatizo que ele foi curto, porém agitado. Sempre destaquei que a coisa mais importante era entender o que é um governo centralizador e unitarista, bem como compreender o que representa um governo federalista. E eis que a questão cobra exatamente isso. O vestibulando deveria enfatizar que haviam dois projetos políticos para o Brasil, sobretudo após a morte de D. Pedro I. É necessário aqui destacar as disputas entre federalistas e unitaristas, a criação do ato adicional de 1834, as revoltas que desestabilizaram a vida política nacional e o retorno da tendência centralizadora com o golpe da maioridade.



Questão 10


Observe a charge de Kalixto publicada na revista “O Malho” de 14 de abril de 1916, retratando o presidente da República Venceslau Brás e o Tio Sam, símbolo da política externa norte-americana. Na legenda da charge:

“Tio Sam (professor) – Vosmecês não ter nada que mete nariz nos coisas do Europa! Vosmecês trata somente de cultiva seu força e seu amizade e de fazer negócios... só comigo!
Venceslau (Presidente da República)  – Entenderam? São palavras de velho muito sabido... Mais ou menos isto: Para evitar ‘entrosgas’, cada um em sua casa com sua mulher e seus filhos... E, quanto a negócios, a 
América para os americanos... do Norte!
Zé Povo – Confere! E agora só falta uma coisa: escolhermos o molho com que devemos ser comidos...”


(Fonte: Revista Nossa História, ano 1, n. 3, jan. 2004, p. 88)


Comente o tipo de relação entre Brasil e Estados Unidos referenciada na charge  ao lado e responda: é possível afirmar que  ela tenha ocorrido durante todo o século XX? Justifique sua resposta com dois eventos históricos que envolvam as relações  entre  Brasil e  Estados Unidos, e comente a atual relação entre esses dois países.





Primeiramente, desculpem-me pela péssima qualidade ao editar esta imagem. Tive que fazer um malabarismo no paint, word e adobe para conseguir colocá-la a disposição (não tinha no google - minto: tive preguiça de procurar)

Como eu disse anteriormente, a temática do imperialismo se apresentou em várias questões da prova. Está aqui na décima. Aqui pede para se comentar o tipo de relação. Era moleza, era só dizer que era de subordinação, obediência ao um país imperialista e uma crítica irônica a tal subordinação. Durante o século XX inteiro a política externa norte americana tinha uma janela aberta para bisbilhotar nossas ações. Não vou listar todos os eventos que corroboram esta afirmação. Bastava dizer coisas simples como a pressão dos Estados Unidos para entrarmos do lado deles na Segunda Guerra e a exigência de bases americanas no território brasileiro ou ainda afirmar que a deposição de João Goulart foi pensada em conjunto com o congresso brasileiro, forças armadas e corpo de diplomatas americanos. Isso só para citar dois. Quando o Wikileaks se interessar por história, talvez encontremos mais documentos secretos por ai. Ao comentar o quadro contemporâneo, seria uma ótima saída enfatizar que o crescimento brasileiro vem garantindo uma autonomia maior da nossa política em relação aos interesses norte-americanos, sobretudo, que o governo Obama não tem uma política externa imperialista agressiva para com o Brasil, embora haja uma cultura política na população americana que entende que ainda hoje, a "américa deve ser para os americanos... do norte".


Bem, é isso ai. Estas são minhas considerações e espero que elas possam ser úteis para todos os que estudam história. Um grade abraço e boa noite.



Andre Carlos Moreira Mendes

Professor, Rock Star nas horas vagas e um tiozão apaixonado pelos sobrinhos.






segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Parreira




     Se o leitor não se interessar por manifestação intensas de nostalgia, é melhor parar a leitura por aqui. Hoje me deu vontade de por o coração na ponta dos dedos. Acho que vivi um momento daqueles que ficam consagrados em filmes e em bons livros, um daqueles em que o protagonista está prestes a morrer e vê a vida toda passar como um filme diante de seus olhos.
     Após sair do trabalho, pensando sobre minhas aventuras e desventuras, decidi que iria passar na escola onde estudei e solicitar uma segunda via do histórico escolar, para eventualmente fazer a matrícula na universidade, se vier a ser aprovado também na segunda fase do vestibular. Estacionei o carro, olhei pelo retrovisor e vi os ônibus transitando pela rua. Prestei atenção neles e nas expressões de cansaço transmitidas pelas telas das janelas. Talvez o cansaço de fazer sempre as mesmas coisas seja o principal motivador ou instrumento para a transformação. Sai do carro com a convicção de que iria atingir mais uma meta, um tanto quanto inesperada, mas que certamente poderá provocar transformações. Aliás, a simples proposta de fazer algo novo já provoca alguma transformação.
     Subi pela escadaria que leva até a porta da secretaria da escola. Demoliram a parede dos fundos da antiga sala do diretor e reconfiguraram todo o pavilhão para isolar a secretaria do restante da escola, evitando que o espaço escolar seja visitado por elementos externos. A escola parece uma prisão e nunca Foucault esteve tão vivo na minha cabeça. A diferença é que agora não é para prender os internos e promover ações disciplinares, e sim, protegê-los do que é de fora. Talvez a única saída, sobretudo quando se trata de uma escola na periferia, em Colombo.

     Lá estava a Vilma, secretária responsável pela escola desde 1988. Solicitei o histórico e a chamei pelo nome. "1996, Terceiro B", foi a frase que disse após informar meu nome. E lá estava o registro da minha vida escolar. Pegá-lo em minhas mãos disparou adrenalina. Suspirei. A prova da minha existência estava diante de mim. Quantas vezes paramos para observar que existimos? Aquele papel foi a agulha que disparou minhas memórias. Conversei por meia hora com a Vilma, que após olhar minha foto, datada de 1993, disse, talvez por educação, "eu me lembro de você".
   Lembranças de professores já falecidos, outros aposentados, outros na ativa. Lembranças boas, lembranças tristes. Uma conversa com o atual diretor sobre as ironias da vida e o mito do eterno retorno, da coisa cíclica. Ali estava eu, novamente. Fui informado de que o documento seria expedido em uma semana e pensei: "que legal, retornarei e verei a escola novamente". Passei então diante de uma árvore no pátio da escola, onde ficava plantada uma parreira, que sempre era protegida pelo Professor Alfeo. Se hoje leciono história foi por causa dele. Alfeo protegia aquela parreira e várias vezes falava que onde viveu na infância haviam parreiras e ele gostava de comer as uvas "no pé". Alfeo nasceu no noroeste da Itália, fronteira com a Iugoslávia. Leal aos valores monárquicos, foi feito prisioneiro quando Mussolini assumiu o poder, viveu grande parte da segunda guerra em campos de concentração e foi libertado pelos americanos, vindo depois morar no Brasil, onde se fez professor. Foram diversas as conversas com ele, ao lado da parreira, durante o recreio, por que a sala de professores era infestada por "petistas" e ele não gostava de comunistas. Anos mais tarde num reencontro inesperado ele informou que partidários de Tito haviam feito mal a sua família. Aquela parreira não estava mais ali, mas habitava viva em minhas recordações.
     Entrei no carro e ali senti o tempero que talvez a morte um dia me ofereça. Lembrei-me da minha ingenuidade, da minha rebeldia, da minha ignorância, das minhas esperanças, dos meus sonhos de jovem, das aventuras, das desventuras. A cada lembrança vinha uma sensação estranha, uma romantização da pureza que eu, ali naquele instante, idealizava. Vi-me em 2012, com todas as frustrações acumuladas, com todas as dores pesando no peito e com muito menos esperança do que em 1996. Talvez eu realize muitas coisas ainda, mas ali naquela hora, eu chorei. Lágrimas caíram diante da memória viva, diante da nostalgia ácida e corrosiva. Diante daquela pressão no peito, que aperta de jeito, sem a gente explicar o porquê de não conseguir respirar. Lembrei-me também de um dos momentos mais lúcidos da minha adolescência, quando eu afirmei para um professor de história que tive, que eu adoraria um dia apreciar o que eu achava certo em público e para que a partir disso pudesse atingir um número de pessoas, que passariam a tentar ser melhores. Na realidade, eu disse que adoraria fazer isso sendo músico, mas isso não faz tanta diferença agora. Sorri lamentando todas as escolhas erradas que fiz, sobretudo, as que me fizeram me tornar um homem serenamente mais triste, imerso em contradições. Mas ainda havia algo em mim que é um pouco do André de 1996. Aquele idealismo que inspira as pessoas, que no passado se configurava como ingenuidade e hoje habita em minhas ações com o nome de engajamento; aquela vontade de fazer alguma coisa certa, mesmo errando no processo, mas ainda assim, tentando.
     Voltei para casa pensando no passado, no provável e possível futuro próximo, convicto que vou adorar sempre me inserir em atividades que possam através do exercício intelectual criar um padrão de conduta moral que eleve as relações entre as pessoas. Um suspiro resgatou minha esperança de ver no futuro momentos de menos melancolia, sobretudo, quando o dia da morte chegar. Realmente não quero ver o filme da vida e chorar lamentando seu final.  Quero um dia poder dizer "foi uma bela história, pena que acabou".

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Vídeo sobre primeira guerra

Saudações

Aqui vai para os alunos dos segundos anos do SESC São José. Teremos as aulas sobre a Primeira Guerra Mundial nos próximos dias e depois faremos uma processual sobre o tema. Tal como eu indiquei os vídeos sobre Revolução Francesa, sugiro que assistam estes também. Em breve disponibilizarei imagens para as processuais. 
Abraços


Playlist do youtube
http://www.youtube.com/watch?v=J2wxBC7H6M8&list=PL1C8CD28566E3989D&index=1&feature=plpp_video